Quem entrava em cena na Fórmula 1 era um jovem alemão, vinha da Mercedes, ele pilotava pelo Grupo C da equipe de sportscar. O jovem estreante com rostinho de bebê chamava-se Michael Schumacher. De início, as notícias da sua contratação despertaram pouco interesse entre os mecânicos (apenas mais um maldito assento para fazer!), mas ao menos o único mecânico austríaco da equipe, Jorg, parecia satisfeito, pois a chegada de Schumacher o permitiria se expressar em sua própria língua.

Schumacher havia somente pilotado um GP antes, algumas semanas atrás em Spa para a mais nova equipe do grid: Jordan. Embora sua estréia durasse menos do que um décimo de uma volta antes do carro quebrar, foi o suficiente para chamar a atenção de Flavio e Walkinshaw.

O primeiro encontro com Michael foi dentro do pit da Benetton em Monza depois de ele ter acabado de assinar contrato com Flavio. Michael já tinha visitado a fábrica em Witney para moldar o assento antes de a equipe voar para Itália; e os mecânicos tiveram que carregar o assento como bagagem de mão dentro do avião vindo de Heathrow. Ele estava marcado com caneta branca um grande MS atrás – todos os assentos são marcados com as iniciais dos pilotos – mas como as equipes estão a toda hora enviando componentes de última hora parece que todos tinham se esquecido de que essa marca era uma dica do que seria anunciado ao mundo.

Dentro da garagem em Monza, Michael apresentou-se fazendo uma boa primeira impressão ao apertar a mão de todos que estavam lá. Ele mantinha certa distância, curvando-se para oferecer sua mão direita, enquanto sua mão esquerda permanecia no bolso traseiro; parecia que ele estava se sentindo um pouco tímido, um pouco inseguro nesse novo e estranho ambiente. Os mecânicos não o conheciam e ele, claro, não conhecia ninguém lá. E quem poderia imaginar que ele se desenvolveria e amadureceria para se tornar o maior piloto de F1 da sua geração?

Aquele aperto de mão em Monza merecia uma fotografia, desconhecidos encontrando-se pela primeira vez, um momento efêmero sendo congelado no tempo. Naquela manhã em que todos bebiam café e conversavam descontraidamente, ninguém imaginava o que estava prestes a ser lançado ao mundo das corridas.

( Trechos do livro The Mechanic’s Tale de Steve Matchett)