Sabine veio a público informar que Schumacher não fará parte do pitwall no GP da China, pois estará de férias com sua família e o GP do Bahrein nunca esteve nos seus planos.

Aproveito para falar um pouco de Sabine que é assessora de imprensa já há um bom tempo trabalhando com Michael.  Sua primeira corrida foi o GP da Alemanha em 1994, aquele mesmo do incêndio do carro de Verstappen durante o pit-stop da Benetton. Na época trabalhava para um respeitável jornal alemão e escrevia artigos sobre Fórmula 1 porque nenhum dos seus colegas  estava interessado  em cobrir o esporte; mesmo não tendo idéia do que seria uma estratégia de reabastecimento, ela aceitou o desafio. Quando Michael foi para a Ferrari, seu assessor era Heiner Buchinger. Heiner teve alguns problemas de saúde por algum tempo, mesmo assim Schumacher não o dispensou. Porém após Michael quebrar a perna no GP britânico de 1999 e ficar de molho até o GP malaio, seu assessor enviava notas oficiais para imprensa que contradiziam as notas da Ferrari. Resultado: Ferrari pediu a Schumacher que o demitisse.

Willi Weber telefonou para Kehm, que já estava ambientada ao paddock de F1 e já havia entrevistado Schumacher algumas vezes. Ela não iria recusar mais um desafio em sua carreira e aceitou de prontidão um trabalho exaustivo, mas compensador de representar a opinião sensata de Schumacher junto a imprensa. Não é nada exagerado dizer que ela passou a maior parte do tempo durante esses nove anos desmentindo os fatos que caiam na boca da mídia do que confirmando alguma coisa. A parceria com Schumacher rendeu a autobiografia “Driving Force” que foi best-seller na Europa e é um livro que retrata mais sua personalidade introvertida do que seus feitos nas pistas, incluindo o trabalho do seu amigo fotógrafo Michel Comte com mais de 100 páginas de fotos.

 Sabine falando sobre seu amigo e chefe bem após sua aposentadoria:

Você só consegue descrever Michael de duas maneiras e você tem que separá-lo do piloto de corrida.  Michael tem a reputação de ser um piloto implacável, e, sim, ele nunca desistiria ou evitaria uma luta na pista. Mas ele pode aceitar a derrota se ficar feliz com a disputa. Essas manchas – vamos dizer 10 situações nas quais Michael estava pilotando dando tudo de si – eu não quero dizer que foram sem importância e há razão em criticá-las. A maior parte de sua carreira, Michael estava numa luta pelo campeonato e há muita pressão que talvez você extrapola em certos momentos. Ele venceu tanto que parece mais fácil lembrar as poucas coisas negativas do que as muitas positivas – e isso não é realmente justo.

Fora da pista, ele é um cara calmo, relaxado – nem chega a ser perfeccionista, ele é paciente. Ele é devotado a sua família e é um cara sensível. Eu não acho que seja um paradoxo. Na pista ele é um lutador, todavia isso acaba quando ele saí do carro. Os pais dele realmente tinham quase nada e sua infância girou em torno disso. Por isso, ele e Corinna tentam não mimar suas crianças. Michael os pega na escola quando pode, pois quer vê-los crescendo de maneira normal.

Michael tem orgulho de tudo que conseguiu, mas o mais importante para ele é ser lembrado como um piloto apaixonado pelo seu esporte. Ele acha que se aposentando vai escapar da visão pública o mais rápido possível. Eu penso que é algo nada realista.

Ponto para Sabine.