A Índia está com tudo atualmente: Bollywood ganha Oscar; é tema de novela e ainda alinha carro no grid. O que me fez lembrar de Balbir Singh, ou como todos o chamavam no paddock o ‘guru do Schumacher’. Atualmente Balbir é o fisioterapeuta da equipe Force India cuidando do corpo e mente de Fisico e Sutil.

Como eu disse no post anterior, a preparação para valer de Schumacher começou com o empurrão da Mercedes-Benz, mais especificamente na clínica de fisioterapia do Dr. Dungl na Áustria, que incluía exames, atividades físicas e dietas, tudo voltado para melhorar o desempenho dos pilotos na pista.

Na clínica do Dr. Dungl, ele conheceu o fisioterapeuta, nutricionista e preparador físico Harry Hawelka que trabalhou com ele durante uns cinco anos até ele trocar a Benetton pela Ferrari. Antes disso, Schumacher ia às academias e fazia exercícios completamente errados, forçando os músculos dos braços e pernas. Ele fez tanta flexão que ele foi obrigado a fazer uma cirurgia no menisco do joelho, que já estava totalmente atrofiado em 93.

Nascido em Punjab, mas há bastante tempo reside na Alemanha, Singh nunca tinha posto seus pés dentro de um autódromo, até que o destino o levou a Schumacher.

Eu estava trabalhando num hospital e mantinha contato com seu tio – disse Balbir. Um dia ele disse que Michael estava procurando por um fisioterapeuta. Isso foi em novembro de 95, e Michael estava testando com a Ferrari de uniforme branco.

Houve outros caras antes de mim que provavelmente não deram certo, mas eu nunca tinha trabalhado para o automobilismo antes. Quando o encontrei pela primeira vez, era para ficar por quatro dias em Paul Ricard. Eu tirei uma semana de férias do meu trabalho e fui para lá. Depois de quatro dias Michael perguntou se eu não poderia ficar a semana toda com ele. Fiquei, e quando voltei para casa na semana seguinte ele já me telefonou perguntando se não poderíamos trabalhar juntos. Eu recusei pois tinha um contrato com o hospital e não deveria deixar meus pacientes. Michael pediu para eu não me preocupar com isso, que daria um jeito. Uma semana depois, meu chefe disse que eu estava liberado. Pensei que meu trabalho duraria um ou dois anos, nunca imaginei que se passariam 10 anos.

 Em 2005, Balbir deixou de ser o fisioterapeuta particular de Michael, devido à exigência de seguí-lo durante todas as corridas, ele decidiu que era hora de ter mais tempo com sua família. Michael na ocasião disse que sentiria muito a falta do indiano, era um dos amigos mais próximos, no qual ele confiava piamente. Mas ele tinha que acatar sua decisão sobre pensar mais no seu próprio futuro. No ano  passado após três anos longe da Fórmula 1, Balbir aceitou o pedido da Force India e voltou trazendo mais uma vez todo seu conhecimento de ayurveda, yoga e dietas para o paddock de F1.

Michael é um cara único. Algumas vezes, era difícil trabalhar junto pois ele era extremamente esforçado e sempre tinha um objetivo para permanecer no topo. Eu acho que tive muito sorte por encontrar um homem como ele – no topo do mundo, com muito sucesso, mas ainda um ser-humano e eu sei que ele sempre será assim. Nós éramos e ainda somos muito próximos. Eu trabalhava para ele, mas continuamos sendo amigos.

Porque a Force India? Minha família nasceu na Índia e minha herança indiana é bem forte, mesmo sendo um cidadão alemão. Parecia certo participar dela por causa da conexão indiana e para ajudar tanto a equipe como seus pilotos.