RB² era como se chamava a dupla ‘aero’-dinâmica Ross Brawn e Rory Byrne durante a época Schumi na Ferrari. Uma dentre as muitas coisas que eu agradeço enormemente a Michael, foi que eu consegui por causa do tamanho respeito que ele tinha pela equipe Ferrari e pela Benetton, olhar a F1 de um modo diferente. Não, a F1 não é um esporte individual, não é uma disputa entre pilotos e engenheiros, não é uma discussão pelo rádio sobre quem tem o pior cargo nesse esporte considerado tão egoísta. É um trabalho em conjunto, é uma confiança mútua, é tratar os profissionais que passam noite e dia trabalhando arduamente para dar ao piloto um carro decente com um pouco mais de dignidade.

Porque eu estou expondo tudo isso? Apenas para esclarecer que o porta-voz do Overtaking Work Group não é Ross Brawn (como um certo locutor repetiu várias vezes durante a transmissão), é o sul-africano Rory Byrne. Este incrível ‘engenheiro’, altamente injustiçado, por ter uma personalidade bem introspectiva, foi o maior responsável pela reestruturação da Ferrari. Quando ele chegou lá em Maranello, decerto, nem havia pranchetas pois nem existia o departamento de projetos, estava tudo na Inglaterra sob a liderança do projetista-chefe John Barnard. Rory não se formou em engenharia, mas em química industrial, e chegou a trabalhar como mecânico na Fórmula Ford inglesa.

Com seu amigo de longa data, Pat Symonds

Com seu amigo de longa data, Pat Symonds

Ele dedicou tanto sua vida ao automobilismo que não tinha tempo suficiente para avaliar sua própria vida pessoal. Quando trabalhava na Benetton, não se importava se era Páscoa ou Natal, ele estaria lá na fábrica analisando, modificando, melhorando o chassi do carro. Durante 94, quando a equipe foi acusada de trapacear, ele também não desanimou, continuou indo para Enstone todo santo dia.

Após conseguir o título dos construtores em 1995 com a Benetton, ele achou que já tinha alcançado tudo o que podia na sua vida de projetista e decidiu ir para Tailândia dedicar-se ao mergulho no final de 1996. Não fosse pela insistência de Ross Brawn, Michael Schumacher e Jean Todt para levá-lo a scuderia, o mundo nunca teria visto a mais perfeita Ferrari de todas, F2002. Uma história curiosa aconteceu no final de 2000, após a equipe Ferrari ter conquistado tanto o título de pilotos como o de construtores: Rory estava se dirigindo à fábrica com sua Ferrari, quando encontrou os tifosi que já comemoravam por horas o feito da scuderia, ele foi logo reconhecido e abordado pelos fãs que queriam apertar sua mão ou simplesmente beijar o Cavallino Rampante de sua Ferrari.

No início do ano passado, com 63 anos, ele teve seu segundo filho, o primeiro chegou apenas a alguns anos atrás. Frutos do seu casamento com uma tailandesa bem mais jovem do que ele. Hoje em dia, ele tem uma escola de mergulho em Phuket, onde pretende construir também um resort. Além de ser consultor da Ferrari, talvez você ache que seja apenas um cargo decorativo, não é, não para Rory Byrne. Ano passado, ele passava dois meses (trabalhando e jogando golfe) na Tailândia, e depois dois meses (trabalhando e encontrando velhos amigos) em Maranello ajudando toda a equipe no que precisasse. Ele também é um dos projetistas do novo carro que será fabricado pela Ferrari para a categoria A1GP na temporada de 2009.

Eu sou uma grande fã desse gênio injustiçado, trabalhador incansável. Salve Rory Byrne!