Texto publicado no Maria Paddock :

O mau-caratismo de Schumacher, tão ovacionado pelos desafetos e, principalmente pela mídia, tem lá seus limites. O embaixador da UNESCO, doou US$1,5 milhões para projetos ligados a educação e ao esporte. Financiou, sozinho, a construção de uma escola para crianças pobres de Senegal, além de contribuir para melhorias da própria cidade de Dakar. Também sozinho, construiu um hospital especializado em amputados para apoiar as vítimas da guerra de Sarajevo. Em Lima, no Peru, fez o “Palácio para os pobres”, centro de ajuda para as crianças de rua, com alimentação, educação, cuidados médicos, roupas e abrigo. Para as vítimas do tsunamique atingiu a Ásia em 2004 foram US$10 milhões, a maior doação individual. Para a Fundação William J. Clinton, em prol de crianças com HIV, malária e pobreza foram mais US$5 milhões. Para as enchentes que alastraram a costa européia, mais US$1 milhão. Em meados de 90, adotou um cachorro vira-lata que vagava por Interlagos na época do Grande Prêmio do Brasil, isso muito antes de se engajar em campanhas em defesa dos animais.

- Schumacher é assim: A dureza do atleta se decompõe na vida pessoal, revelando um homem, digamos, encantador. O ronco de sua Ferrari, que tanto perturba os adversários se cala perto de sua voz macia e aconchegante, similar a de um missionário de paz. Mas jamais será visto como um. Pelo contrário. O Barão Vermelho está para o público muito mais como um cavaleiro das trevas. Porém, ele parece não ligar. Pelo sim, pelo não, Schumacher segue em frente, e mesmo sabendo que jamais será reconhecido continua plantando benevolências por onde passa. Ao que tudo indica, o alemão é mesmo apaixonado por recordes: Seja em números na Fórmula 1, seja em sorrisos fisgados no rosto dos que mais necessitam.

// Sabrina Peterson – Michael Schumacher | No limite.