Junho 2009


Imagino que a essa altura todos já viram alguma parte do programa Top Gear, no qual Schumacher revela ser ‘The Stig’, o piloto misterioso que testa os mais variados carros cuja identidade secreta ainda causa muita especulação entre os fãs do programa. Logicamente, Schumacher não é The Stig. A revelação foi uma consequência da participação de Michael como embaixador da Bacardi e proprietário da Ferrari FXX preta, portanto o verdadeiro ‘The Stig’ não poderia testá-la. Porém, pode-se perceber que a jogada de marketing deu certo; basta observar a quantidade de vídeos carregados no youtube sobre o episódio e até depoimentos (alguns irados) dos fãs do Top Gear sobre a revelação inusitada.

Sem dúvida este foi o episódio mais popular do programa assim como foi a entrevista mais engraçada do Schumacher após sua aposentadoria. Enquanto Michael está retirando o capacete, o apresentador Jeremy começa a gritar “é Susan Boyle” e depois fala “oh, meu Deus” como se não soubesse que tudo fazia parte da pegadinha. Jeremy ataca com as típicas piadas britânicas “você é mesmo fora-da-lei em 17 estados americanos?”, a qual Michael responde “não, é muito exagero, são apenas 9″. Jeremy continua “antes de você usar esse macacão branco e ser famoso, qual era o seu nome verdadeiro?”

Jeremy também pergunta sobre a situação de Lewis agora na F1. Schumacher responde que é difícil quando o carro não é lá essas maravilhas. O  fator Ross Brawn foi a chave do sucesso de Schumacher?, e Michael responde que é isso mesmo, a F1 é um esporte de equipes. ”Você  não está aborrecido agora pelo fato de apenas uma pessoa estar vencendo tudo?” Michael gargalha. Ele também fala que Hakkinen foi seu melhor adversário, mas quando Jeremy pergunta quem foi o ‘porqueira’, ele responde que seu inglês não é tão bom. “Você tem esse desejo de vencer” – “É  da minha natureza”. Jeremy provoca “quando meu filho não está olhando eu movo sua rainha do xadrez…é o mesmo que jogar o carro para cima do Damon”.

Na tela, Jeremy mostra as fotos da festinha quebradeira de Schumacher com o pessoal da Toyota em Suzuka 2003. “É uma geladeira…” E no final da entrevista, a revelação bombástica sobre o carro que Michael mais dirige. “Michael Schumacher dirige um Fiat Croma”.

O vídeo acima mostra claramente que Michael não é ‘The Stig’. :)

Schumacher era fã das músicas do Michael Jackson. Eu também fui quando era criança. Quem que não viveu a infância nos anos 80 e nunca tentou fazer o ‘moonwalk’? Portanto uma homenagem ao rei do pop que agora descansa em paz na verdadeira ‘terra do nunca’.

Schumacher em 96, numa pegadinha para a TV alemã com câmera escondida, ele experimenta diversas fantasias para o famoso carnaval alemão de Colônia. Numa dessas…

Outro momento engraçado foi contado por Richard Grundy, manager da Camel (indústria tabagista) nos anos 90, patrocinadora da Benetton. Em 92, após chegar a Tóquio, Michael ficou envolvido num trabalho promocional para a Camel japonesa. Ao deslocar-se de carro para efetuar esse trabalho, relembra Grundy “Ele insistia para que ouvíssemos a sétima música do CD de Michael Jackson, que era ‘Heal the World’…Tipo de coisa que qualquer garoto de escola podia ouvir na Inglaterra. Mas de qualquer forma os esportistas não são tão ligados em cultura…” Imagino que o pessoal da Camel pensou seriamente em pular do carro nessa hora. ;)

Heal the World by MJ

 Será? Mentira… Lá vai mais uma série de comparações entre Sebi e Schumi:
  • Sebi começou no kart aos 3 anos de idade, Schumacher aos 4. Únicas palavras que sabiam pronunciar eram ‘Bremse’ e  ‘Reifen’. :)
  • O pai de Sebastian construía telhados, aquela estrutura de madeira em cima da casa ;)  - Rolf Schumacher era pedreiro e construía chaminés durante o inverno. Alô pessoal da construção, seu filho pode ser um fera na F1.
  • A família de Sebastian era de classe média – a do Schumacher um pouco mais abaixo do que isso. Nos primeiros anos de competição, eles não dispunham de equipamento tão bom como seus concorrentes, mesmo assim venciam corridas.
  • Foram descobertos, apoiados financeiramente e moralmente pela mesma pessoa – Gerhard Noack.
Gangue reunida - Noack segurando um papel, Schumacher de boné vermelho, Sebastian de boné verde e Kaiser de óculos

Gangue reunida - Noack segurando um papel, Schumacher de boné vermelho, Sebastian de boné verde e Kaiser na ponta direita

  • Em 2000, após vencer o campeonato de construtores pela Ferrari durante a entrevista coletiva quando os pilotos falam em sua língua nativa, Schumacher de peruca vermelha agradeceu a Noack e a todos em Kerpen. Vettel sem peruca no GP da Itália em 2008 fez o mesmo.
  • Kerpen – lugar comum. Sebi e Schumi passavam horas na pista do kartódromo aprendendo sobre mecânica e desenvolvendo as habilidades, principalmente debaixo de chuva, que é o tempo mais normal no noroeste da Alemanha. Sebastian molhava as rodinhas quando fazia sol.
  • Em 1987, Noack montou sua equipe KSN (Kart Sport Noack); Schumacher que corria de graça pela Eurokart ao invés de entrar nos monopostos decidiu fazer mais um ano no kartismo na categoria Senior. Schumacher e Noack arrebataram os campeonatos europeu e alemão. Seu mecânico era então o desconhecido Peter Kaiser. Em 1997, Sebastian corre pela KSN, equipe agora aclamada de kartismo, cujo chefe é ‘tanananam’ Peter Kaiser. Noack parte para área de gerenciamento de pilotos. Sebastian aumenta sua coleção de troféus drasticamente. Hoje em dia KSN é KSM (Kaiser, Schumacher e Muchow).
  • Schumacher entra no esquema e começa a promover Sebastian. Tipo assim – ‘oh cara, ficou sabendo de um kartista rápido que está fazendo horrores?’. Berger, ex-chefe da Toro Rosso, caiu na lábia de Schumacher.

 

Berger e Vettel no pódio italiano em 2008. Eu te disse, Berger!

Berger e Vettel no pódio italiano em 2008. "Eu te disse, Berger!"

  • Segundo Noack que afirma com convicção que Sebi nada mais é que o clone do Schumacher, as características em comum são: velocidade natural; autocrítica; interesse pela parte técnica; aproveitamento total do equipamento e comprometimento com a equipe.
  • Em 2004, Sebastian vence 18 das 20 corridas na Fórmula BMW, quebrando todos os recordes possíveis e imagináveis. Thiesen se agita. Schumacher vence 13 das 18 na F1 e mais uma cacetada de recordes caem por terra. Ironia maior ainda: Rubens é vice na F1 e o brasileiro Átila Abreu é vice na F-BMW.
  • Tanto Schumacher como Vettel adoram uma pelada… Ai!
  • São viciados no “fitness”. Se bem que agora Michael está mais para levantamento de copos de cerveja e lançamento de bituca de charuto.
  • Os dois têm uma queda por Senna. Schumacher o admirava desde quando o brasileiro chamava-se Ayrton da Silva e brilhava no kart. Vettel o descobriu assistindo a primeira vitória dele em Interlagos de 1991 (corrida gravada), ele disse que adorou a emoção da prova, Senna não conseguindo levantar o troféu de tão exausto e o ‘comentarista brasileiro’ indo à loucura.
  • Vivem na Suíça, gostam da natureza e não suportam por muito tempo a vida na metrópole.

Vettel é o novo Schumacher? Não, mas ô vidinha sacana que ele teve, hein!

 Na semana passada, Michael fez uma sessão de treino na pista de  Sachsenring. Algumas fotos:

Não satisfeito. Ele encarou mais uma vez a adrenalina do kart. E bem ao estilo Schumacher, largou da pole, perdeu posições, recuperou e venceu a corrida.

Primeiramente, Schumacher deu sua opinião no site de vídeos da Ferrari sobre a guerra FIA x FOTA, obviamente apoiando a última entidade.

“Não é uma situação muito agradável, especialmente no esporte que amo e em que estive envolvido durante a maior parte da minha vida. Mas o nome da Ferrari é muito importante. Não dá para conceber a Fórmula 1 sem a Ferrari e as outras montadores que participam há tanto tempo”, disse Schumacher, em uma entrevista publicada pelo site da equipe italiana.

Segundo o alemão, a FIA não pode mudar o regulamento de forma tão drástica e aceitar que as montadoras simplesmente acate as decisões. “Sim, o objetivo é reduzir os custos, mas é preciso fazer isso passo a passo. É impossível mudar tudo de uma vez só”, afirmou.

Mas como a vida não é feita só de políticas, ele também testou a Ferrari 599 GTB com um novo pacote de atualizações, dando 20 voltas no circuito de Fiorano. E ele ainda é pago para fazer isso.

Teste com 599 GTB

Outra notícia que eu estava esperando que logo seria anunciada foi a confirmação de Schumacher e Vettel na Corrida dos Campeões em Pequim que acontecerá após a última prova de F1 no ano.

“A Corrida dos Campeões é a combinação perfeita de disputa dentro da pista mas com diversão, e isso chega até o público. Os espectadores sentem esta atmosfera especial e se divertem tanto quanto nós. Eu estou ansioso para competir novamente e curioso em saber como o público chinês irá reagir ao nosso show maluco no famoso estádio olímpico. Eu tenho certeza que eles irão adorar este evento que vem entretendo o público europeu por mais de 20 anos” - disse Schumacher.

Vettel também opinou sobre o ROC  e como Schumacher está ansioso para participar da competição deste ano – “É sempre muito divertido e competir no Ninho do Pássaro será incrível. Eu acho que todos ainda têm a imagem deste fantástico estádio na memória por causa dos jogos olímpicos do ano passado. Eu quero muito levar nosso terceiro título para Alemanha com Michael e eu estou almejando vencer a disputa individual após ter sido derrotado nas quartas de final no ano passado.”

Schumacher nesse final de semana encarou uma diversão inusitada, ele participou do Rali dos Alpes como navegador. O piloto foi Andreas Pohl, seu amigo e patrocinador de longa data desde os tempos da Fórmula 1 (Deutsche Vermögensberatung – nome complicado que aparece sempre nos seus bonés).

 

E não se pode dizer que eles fizeram feio; dentre os 78 carros clássicos inscritos como Porsches dos anos 70, Mercedes dos anos 50 e até uma Ferrari Dino 246 GT (vencedora da prova), Schumacher e Pohl divertiram-se a bordo de uma Lagonda LG 45 Rapide, construída em 1937 (terceiro carro mais antigo da competição) e chegaram na 27ª posição.

Porém o mais importante para Schumacher foi relaxar e curtir a paisagem exuberante das mais belas estradas alpinas que cruzam o estado de Tirol e Salisburgo na Áustria, além de aproveitar aquele seu charuto e tomar uns goles de cerveja como bom alemão que é no final do passeio.

Ainda não satisfeito com sua recuperação física para voltar a pilotar sobre duas rodas, Michael no último final de semana retornou ao seu primeiro esporte, kartismo, em Kerpen-Manheim após um longo período longe do volante de um kart. Como chefe de equipe da KSM e acompanhando a carreira de seu filho no Bambini-Kart Challenge, ele não tinha nenhuma intenção em competir com os kartistas profissionais, mas após acelerar o kart por diversão e marcar volta rápida no treino livre na pista que ele conhece muito bem, percebeu que ainda tinha bala na agulha e decidiu participar do certame para valer.

Resultado: ele largou em segundo e venceu as três baterias. “É sempre bom retornar às raízes. Foi um final de semana bem descontraído e eu me diverti muito.”

Também foi divulgado no site do clube do kartódromo que seu filho chegou ao pódio das três baterias que disputou: duas vezes em segundo e uma em terceiro.  E igual ao seu pai, marcou a volta mais rápida na sua prova. Parece que será necessária mais uma sala de troféus na mansão Schumacher. :)

 No mês passado, Michael voltou a correr de moto num teste pela sua equipe na IDM: “Ontem nós tivemos um dia muito bom em Nürburgring, o dia todo testando motos com alguns amigos e o pessoal da Holzhauer Racing. Eu fiquei surpreso como tudo ocorreu bem, eu imediatamente fiz o tempo que eu havia feito na corrida do ano passado aqui… Embora eu não sinto que estou 100% preparado para a corrida – há uma grande diferença em dar algumas voltas para teste e 20 voltas no ritmo para corrida em duas baterias – então eu não vou participar da corrida em Nurburgring.

E ao contrário do que muita gente pensava, Corinna não acorrentou Schumacher dentro de casa para que ele nunca mais subisse numa moto, ela esteve presente nos testes para mostrar seu total apoio ao passatempo favorito do marido.

A importância da família na vida de Schumacher é enorme. Ele fala sobre isso e mostra um pouco da sua vida pessoal num documentário raro de 2001 no qual ele vai esquiar pela primeira vez nas montanhas da Suíça com sua esposa e filha Gina-Maria.

A tradução da tradução:

Eu gosto das montanhas, do interior. E a natureza sempre foi um fator importante para mim. Essa foi uma das principais razões… Nós vivíamos em Monte Carlo, nós já tínhamos cachorros e nós percebemos que aquilo não combinava. E depois vieram as crianças e nós concordamos em encontrar outro lugar para viver e Suíça era uma boa alternativa. E hoje nós estamos muitos felizes por ter encontrado a Suíça, porque aqui é o local mais privado de toda a Europa.

Se eu vou dar uma volta com as crianças, praticamente ninguém me perturba. Ir às montanhas para esquiar. Nós vamos fazer pela primeira vez [na Suíça]. Nós já tínhamos planejado, especialmente quando nós voltávamos da Noruega onde nós nos divertíamos muitos esquiando. Não é nada difícil, você dirige apenas uma hora e já encontra um bom local para esquiar. Mas nunca se concretizou. Mas a oportunidade agora apareceu já que meu treinador também é um excelente professor de esqui. Então nós dissemos: ‘Vamos nessa!’

No meu objetivo pessoal, a família tem prioridade. Eu espero que as crianças tenham uma boa educação e se divirtam, mas também que elas saibam lidar com a vida mais tarde. Porque agora elas estão sob sua proteção, mas elas terão que lidar com o mundo. E certamente será um grande desafio para nós. Não há uma fórmula mágica, todos têm que confiar nos próprios sentimentos e tentar fazer do jeito certo.

Algumas pessoas gostariam de saber como é Michael Schumacher na vida pessoal. Mas isso traria muitos aspectos negativos – para minhas crianças, para minha esposa. E elas simplesmente não desejam isso. Minha esposa vive uma vida muito calma, ela pode fazer compras com as crianças sem ser reconhecida, o mesmo com os meus filhos. E nós gostaríamos que continuasse assim.

Como uma pessoa pública, você paga um alto preço. Você está toda hora sendo investigado, há sempre algo que as pessoas pedem de você, elas esperam que você se comporte de determinado modo -  também na vida pessoal. E as pessoas, os fãs – qualquer pessoa que queira algo de mim – pode somente ver pelo seu próprio ponto de vista. Elas não tentam se colocar no meu lugar ou não tentam pensar sobre o que meus filhos sentiriam naquele momento. E há sempre confrontos e minha esposa conscientemente não quer expor-se a eles, e eu a entendo e respeito sua decisão.

Subindo a parede de escalada – Especialmente Gina, Mick ainda é muito pequeno, sempre tenta escalar a parede quando nós vamos lá.