Março 2009


Antes de mais nada, Schumacher explicou o motivo de comparecer a primeira corrida do ano – nas outras temporadas ele esteve mais presente no circuito europeu – como também estará na segunda prova da Malásia: “O principal motivo pelo qual estou aqui é que nós mudamos um pouco a organização, um número de novas pessoas em posições diferentes. Isso é o porquê de eu estar aqui e também de ir para Kuala Lumpur”, disse Schumacher para RTL.

Depois foi felicitar pessoalmente seu amigo Ross Brawn pela dobradinha histórica de sua equipe.  Afinal foram 88 de 91 vitórias e 7 títulos mundias conquistados ao lado do ex-diretor da Ferrari, além de serem compadres de pescaria. :) Michael disse para a TV alemã RTL que ficou surpreso mas nem tanto: “Pelos testes e pelo histórico eu diria que não foi uma surpresa, mas eles são como a Fênix que renasce das cinzas, ano passado eles chegaram a lugar nenhum e agora na primeira corrida eles conquistam tudo. Ross realizou um trabalho soberbo e eu fico feliz por ele.”

Ele também falou da má largada de Rubens Barrichello e a primeira curva que quase o eliminou: “Ele foi um pouco otimista. Ele provavelmente queria compensar a má largada. Isso é compreensível, mas você sabe que a primeira curva de Melbourne pode ser apertada e você tem que se segurar um pouco.”

Sobre as chances de título da BrawnGP serem maiores do que as chances da Ferrari: “Isso não pode ser excluído. Na verdade, ainda é a equipe Honda devido aos recursos do último ano que Ross tirou vantagem.  Eles tiveram um ano todo para desenvolver esse carro, e como não estavam lutando pelo campeonato ficaram à frente das grandes equipes. Especialmente devido às mudanças de regras tão significativas, eles concentraram todas as forças nesse carro. Essa é a consequência.”

Sobre a batida de Vettel com Kubica : “Ele (Vettel) estava no lado de dentro – ele não podia fazer seu carro se dissolver no ar,” disse Schumacher segundo o não tão confiável jornal alemão Bild. Embora Vettel tenha chamado a si mesmo de idiota pela batida no final da prova e ter se conformado com a penalização dos fiscais dizendo que é algo difícil mas você tem de aceitar.

Pelo jeito é de se esperar que Michael irá marcar mais presença no pitwall nessa temporada do que todas as outras desde sua aposentadoria. Uma explicação lógica é a restrição dos testes para as equipes durante o ano e principalmente às mudanças drásticas que segundo Pat Symonds desde o início dos anos 80 não foram implementadas regras tão avassaladoras. Os treinos em Melbourne já mostraram a grande reviravolta causada por elas: interpretações diferentes, difusores diferentes, equipes independentes na frente. Como o próprio Michael já disse, essa temporada promete para os que realmente apreciam o automobilismo.

Saiu no site Motorsport-Total, a entrevista de Vettel falando que Schumacher o ajuda e dá conselhos sobre a Fórmula 1 – Nós nos falamos por telefone, conversamos e algumas vezes ele me dá dicas. Ou seja, além de consultor da Ferrari, Schumacher não se esquece do Baby como diria a imprensa. Segundo seu empresário Willi Weber, o trabalho de Michael será mesmo no pitwall do que dentro do carro – Com as várias mudanças neste ano, ele poderá ajudar os engenheiros a melhorar o carro, o objetivo é a troca de informações com os engenheiros – eles irão avaliar os dados, e a experiência de Michael é extremamente importante. Outra explicação dada pela RTL pela presença maior de Schumacher além de sua experiência em avaliar os dados juntamente com a equipe é que ele conhece o cérebro de Brawn, já que os dois trabalharam juntos por apenas 15 temporadas e como a equipe de Ross já deu pinta de ser a força a ser batida nesse ano, Michael poderia também ajudar na estratégia durante a corrida (Hum! Será?).

E quem também não deixou de dar seu palpite foi o Sr. Especulação, Bernie Ecclestone que ainda não desistiu da idéia de fazer Schumacher retornar às pistas para desafiar Lewis Hamilton. Perguntado se Michael teria o mesmo ritmo antes da aposentadoria para disputar com a nova geração, Bernie disse que tinha certeza absoluta que sim. Na verdade, Bernie não está gostando nem um pouquinho do bolo de grana perdido após a aposentadoria de Schumacher que puxava uma legião de alemães para lotar as arquibancadas e estourar a audiência da TV alemã. Segundo uma enquete, Michael ainda é o piloto mais popular da Alemanha, apesar de estar aposentado e Vettel considerado seu sucessor vem na terceira posição atrá de Heidfeld. Se Michael retorna às pistas? Não acredito nem um pouquinho.

 

A Índia está com tudo atualmente: Bollywood ganha Oscar; é tema de novela e ainda alinha carro no grid. O que me fez lembrar de Balbir Singh, ou como todos o chamavam no paddock o ’guru do Schumacher’. Atualmente Balbir é o fisioterapeuta da equipe Force India cuidando do corpo e mente de Fisico e Sutil.

Como eu disse no post anterior, a preparação para valer de Schumacher começou com o empurrão da Mercedes-Benz, mais especificamente na clínica de fisioterapia do Dr. Dungl na Áustria, que incluía exames, atividades físicas e dietas, tudo voltado para melhorar o desempenho dos pilotos na pista.

Na clínica do Dr. Dungl, ele conheceu o fisioterapeuta, nutricionista e preparador físico Harry Hawelka que trabalhou com ele durante uns cinco anos até ele trocar a Benetton pela Ferrari. Antes disso, Schumacher ia às academias e fazia exercícios completamente errados, forçando os músculos dos braços e pernas. Ele fez tanta flexão que ele foi obrigado a fazer uma cirurgia no menisco do joelho, que já estava totalmente atrofiado em 93.

Nascido em Punjab, mas há bastante tempo reside na Alemanha, Singh nunca tinha posto seus pés dentro de um autódromo, até que o destino o levou a Schumacher.

Eu estava trabalhando num hospital e mantinha contato com seu tio – disse Balbir. Um dia ele disse que Michael estava procurando por um fisioterapeuta. Isso foi em novembro de 95, e Michael estava testando com a Ferrari de uniforme branco.

Houve outros caras antes de mim que provavelmente não deram certo, mas eu nunca tinha trabalhado para o automobilismo antes. Quando o encontrei pela primeira vez, era para ficar por quatro dias em Paul Ricard. Eu tirei uma semana de férias do meu trabalho e fui para lá. Depois de quatro dias Michael perguntou se eu não poderia ficar a semana toda com ele. Fiquei, e quando voltei para casa na semana seguinte ele já me telefonou perguntando se não poderíamos trabalhar juntos. Eu recusei pois tinha um contrato com o hospital e não deveria deixar meus pacientes. Michael pediu para eu não me preocupar com isso, que daria um jeito. Uma semana depois, meu chefe disse que eu estava liberado. Pensei que meu trabalho duraria um ou dois anos, nunca imaginei que se passariam 10 anos.

 Em 2005, Balbir deixou de ser o fisioterapeuta particular de Michael, devido à exigência de seguí-lo durante todas as corridas, ele decidiu que era hora de ter mais tempo com sua família. Michael na ocasião disse que sentiria muito a falta do indiano, era um dos amigos mais próximos, no qual ele confiava piamente. Mas ele tinha que acatar sua decisão sobre pensar mais no seu próprio futuro. No ano  passado após três anos longe da Fórmula 1, Balbir aceitou o pedido da Force India e voltou trazendo mais uma vez todo seu conhecimento de ayurveda, yoga e dietas para o paddock de F1.

Michael é um cara único. Algumas vezes, era difícil trabalhar junto pois ele era extremamente esforçado e sempre tinha um objetivo para permanecer no topo. Eu acho que tive muito sorte por encontrar um homem como ele – no topo do mundo, com muito sucesso, mas ainda um ser-humano e eu sei que ele sempre será assim. Nós éramos e ainda somos muito próximos. Eu trabalhava para ele, mas continuamos sendo amigos.

Porque a Force India? Minha família nasceu na Índia e minha herança indiana é bem forte, mesmo sendo um cidadão alemão. Parecia certo participar dela por causa da conexão indiana e para ajudar tanto a equipe como seus pilotos.

Jochen Mass após deixar a Fórmula 1 partiu para o Mundial de Esporte-Protótipos. Ele se tornou o segundo maior vencedor da categoria com 32 vitórias atrás de Ickx. Embora conseguiu essa façanha pilotando pela Porsche, foi na Sauber-Mercedes que Jochen influenciou o rumo do automobilismo. Em 1990, a Mercedes-Benz dominava a categoria, mesmo assim decidiu investir em sangue novo – Schumacher, Frentzen e Wendlinger entraram em cena.

No carro havia revezamento entre as duplas de pilotos, portanto cada jovem teria um tutor; sob a orientação de Jochen Mass, a Mercedes escolheu Schumacher, na época com apenas 21 anos. Mass lhe ensinou táticas de corrida e dicas para acertar um carro, economizar combustível e preservar os pneus como poucos. Além de ter aprendido os benefícios da boa forma e resistência física para suportar longos períodos dentro do cockpit.

Michael não compareceu às primeiras provas da Esporte-Protótipos pois tinha que cumprir contrato com a WTS da F3 alemã sob gerência de seu empresário Willi Weber. Porém a partir de maio, ele teve que dar conta das duas categorias. Ele disputou apenas 4 das 9 provas: em uma não alcançou o tempo exigido de classificação para o grid, foi segundo em duas e venceu a última corrida no México.

Em 91, mudanças até no nome da categoria que passaria se chamar Campeonato Mundial de Sportscar e agora Schumacher dividiria o cockpit com Wendlinger não mais com Mass. Na corrida de estréia a dupla prodígio conseguiu o segundo tempo do treino de classificação atrás apenas dos velhos companheiros de equipe. Mas agora como forma de brecar o domínio da Mercedes, os organizadores decidiram reservar as dez primeiras posições do grid para os motores regulares, logo Schumacher e seu companheiro com motor turbo largaram na 12ª posição. Além da nova regra, foi um ano problemático para Mercedes, em cinco das oito provas, a dupla germano-austríaca teve problemas: abandonaram no GP do Japão com problemas técnicos, o carro pegou fogo em Suzuka, problema hidráulico em Magny-Cours e bomba de óleo no México.

 

A categoria estava com o pé na cova. A cobertura televisiva de provas com 6, 12 até 24 horas de duração era totalmente inviável. O desinteresse era tão grande que a FIA estimulava as montadoras a entrar na F1, bem mais lucrativa e carente das grandes marcas do Campeonato de Sportscars. Fato é que em 92 apenas 6 das 10 equipes alinharam no grid de Monza. O saldo de 91 para Mercedes foi extremamente negativo não fosse por algo difícil de ser ignorado: Michael Schumacher e Karl Wendlinger terminaram o ano sentados na categoria mais desejada. Ao contrário de Frentzen que largou mão da Sportscar e partiu para F3 inglesa, que na época era considerada a porta de entrada da F1. Fato que mais tarde Frentzen iria se arrepender amargamente pela escolha errada que quase aniquilou sua carreira e suas chances de entrar na categoria-mor.

Agora é a vez de Bruno Senna talvez tentar uma das portas do fundo, a DTM, categoria que como o Campeonato de Sportscars também atraí ex-pilotos de F1. Bem, só posso dizer que isso já funcionou uma vez.

Schumacher divulgou no seu site oficial  o que ele pensa da nova temporada e do novo sistema de pontuação:
 
Eu fui aos últimos testes da pré-temporada na Espanha para ter uma visão geral da situação, e eu posso claramente dizer: que comece logo a temporada! Eu digo isso como fã do automobilismo e da Ferrari. As últimas impressões estão mostrando que nós estamos bem e em posição de lutar pelos títulos.

O que me parece no momento é que há várias equipes que poderão ficar no grupo da frente, além de nós há Renault e Toyota, e BMW e Williams também, mas por outro lado, depois de Barcelona eu posso dizer com certeza que a equipe de Ross foi fora do comum. Eles eram 1 segundo mais rápidos que todos, e se eles puderem levar isso para a temporada, com certeza estarão fortes – mesmo se provavelmente as grande equipes a alcançarem com o decorrer do tempo. Mclaren no momento está mal.

 

 

Durante os testes nós tivemos que lidar com vários assuntos mas é mais do que normal nesse estágio da temporada. Mas o KERS é um risco para todas equipes que estão utilizando devido às possibilidades restritas de testes. Então, como sempre, há certas dúvidas antes das primeiras corridas. Mas isso é o que  faz a coisa toda tão atrativa, não?

Duvido que o mesmo possa ser dito sobre as novas regras num momento tão tardio antes do início da temporada – algo que, para mim, é realmente espantoso. Em todos esses anos, quando a maioria queria uma mudança das regras por uma boa razão, sempre falavam que não seria possível a curto prazo ou era tarde demais, antes da temporada. Não posso imaginar que essas mudanças vão ajudar a F-1, especialmente o novo sistema para definir o campeão. Não há sentido em eventualmente ter um campeão com menos pontos do que o segundo colocado, mesmo que eu também considere que essa foi uma boa tentativa para valorizar a posição do vencedor.  Nós deveríamos assegurar que a F1 permaneça no topo mais alto do automobilismo, mostrando que sua competição também está no mais alto nível de tecnologia.

Procurando fotos dos testes em Barcelona me deparei com algo curioso, o mecânico britânico Mick Ainsley-Cowlishaw agora faz parte da Scuderia rossa. Para quem não faz a mínima idéia de quem ele seja, um resumo bem breve: são 44 anos dedicados ao automobilismo, ele começou na F1 como mecânico pela pequena Toleman que foi comprada pela Benetton e chegou ao cargo de mecânico-chefe justamente nos dois títulos de Schumacher em 94 e 95; depois passou pela Arrows e viu o naufrágio da Super Aguri.

Mick Cowlishaw

Agora na Ferrari, trabalhando nos testes e nas corridas que virão, ele é o responsável pelo setor de montagem da equipe juntamente com Diego Ioverno. Na verdade, o anúncio de sua contratação foi feita ano passado por Domenicali, porém todo mundo (inclusive eu) deu mais notoriedade ao fato de Dyer não ser mais o engenheiro de Raikkonen do qualquer outra nova mudança ou contratação no staff italiano. A experiência é um bem valioso na Fórmula 1 atual.

O que Michael deve estar fazendo em Barcelona além de tirar fotos e dar autógrafos aos fãs?

No cantinho direito da foto abaixo.

 

Seria mais um caso de espionagem? :P

Em Barcelona, a grande surpresa está por conta da pequena Brawn GP. Eu não acredito muito nesses testes pré-temporada, mas só pelo fato do carro não ter encontrado problemas, não ter sofrido quebras, já dá para imaginar que a equipe de Brackley está no caminho certo. Tenho muita admiração por Ross, é um engenheiro que apesar de ser taxado como frio e racional por certos jornalistas, especialmente após Aústria 2002, é um cara que não dispensa elogios a quem quer que seja, motiva a todos a sua volta e dificilmente você encontrará depoimentos onde ele esteja reclamando ou criticando sobre algo ou alguma pessoa. Desejo muito sorte à equipe, apesar  de Button e Barrichello não cotarem entre os meus pilotos favoritos. Eu já escrevi a biografia dele e o que ele pensa de Schumacher em outro site, acho apropriado para ocasião caso queiram entender um pouco mais sobre o ‘brain’ de Brawn, só clicar abaixo para estender o post.

(mais…)

 

Algumas fotos de Jerez:

Ele não está triste ou preocupado com o rendimento das Ferraris, esta é sua expressão usual quando está muito concentrado em alguma coisa.

 Massa ficou em segundo atrás de Glock (honestamente eu não acompanhei os outros dias de testes, as comparações entre os tempos não significam absolutamente nada, pois não se sabe o que está sendo testado – Glock em primeiro e Alonso liderando pela manhã, aff!)

 

 Mas lógico que é importante para as equipes melhorarem o pacote aerodinâmico ou qualquer coisa que possa ser alterada antes da abertura da temporada.

 Webber ficou com a 6ª posição e a pergunta é se Michael vai testar o F60 mesmo com as restrições de testes para as equipes nesse ano. Só para resumir Jerez: Ferrari fez simulação de corrida, enquanto a Renault testou o KERS e Glock estava em ritmo de treino classificatório.