Pat Symonds
Apesar de ter trabalhado com Schumacher por 4 temporadas durante os tempos de Benetton nos anos 90, esse britânico formado em engenharia mecânica é muito admirado pelos fãs do alemão. Principalmente porque após 13 anos do seu último contato profissional com Michael, e terem sido rivais ‘diretos’ em 2006, ele ainda trata Michael com muito respeito, fazendo sempre declarações de pura admiração.
Atualmente diretor executivo de engenharia da Renault, responsável pela estratégia da equipe dentre outras coisas, o gosto pelo automobilismo veio desde criança. Seu pai que trabalhava na Ford, sempre o levava para ver as corridas numa época em que bastava pular a cerca para não pagar o preço do ingresso. Algo totalmente impensável hoje em dia.

O interesse pela física e de como as coisas funcionavam o levou a seguir o sonho de ser um engenheiro, não precisamente de F1, mas pensava em projetar carros de passeio, já que seu pai trabalhava numa concessionária. Após se graduar percebeu que a Ford estava mais interessada em projetar caminhonetes o que não lhe agradava tanto. Decidiu então ingressar no mundo do automobilismo, começando nas categorias de base, a Fórmula Ford inglesa. Foi aí que encontrou seu grande amigo Rory Byrne, os dois trabalharam juntos por 26 anos e ainda mantém contato um com outro, seja num pub na Inglaterra ou num campo de golfe na Tailândia.
Pat teve a honra de ser o primeiro engenheiro de Senna na Toleman, porém ele confessa que não teve muito a acrescentar ao desenvolvimento do piloto, pois também estava em fase de aprendizado, já que era seu terceiro ano na F1. Coincidência ou não, mais ou menos a cada 10 anos, Pat trabalhou com um jovem piloto que futuramente iria se consagrar campeão mundial de F1: em 84 com Senna, em 94 com Schumacher e 2004 com Alonso. Será que ele agüenta até 2014?

Fumante compulsivo, eloqüente e sempre sincero, ele também é respeitado por sua lealdade à equipe. Já trabalhava na equipe Toleman, antes dela investir todos os seus recursos na F1. Em 85, a equipe foi comprada pela Benetton e em 2004 pela Renault. Após a conquista dos três títulos da Benetton, dois de pilotos e um de construtores, ele recebeu a proposta para se mudar para Maranello juntamente com a leva de engenheiros liderados por Brawn e Byrne que seguiram Schumacher. Mas preferiu permanecer em Enstone, sem arrependimentos.
Quando ele começou a trabalhar diretamente com Schumacher em 92, ele já era considerado um engenheiro experiente, porém ele afirma que aprendeu bastante com o piloto alemão. Um momento bem simples que ilustra essa troca de informação entre engenheiro-piloto foi o GP da Hungria em 94. Schumacher vinha liderando com folga a corrida, só para ter uma idéia ele cruzou com 20 segundos de vantagem sobre Hill.
MS: Pat, você pode me dizer aonde Jos está?
PS: Sim, Michael ele está em quarto bem atrás de você. (1 volta atrás)
Alguns segundos depois…
MS: E quem é o terceiro, Brundle?
PS: Sim, Michael. A ordem é Hill, Brundle, Verstappen, Blundell e Panis.
MS: Jos está muito longe de Brundle?
PS: Uns 9 segundos. (Volta 73 indo para 74. Incluindo essa volta faltava mais 4 para terminar a corrida)
Schumacher volta para o rádio…
MS: Se eu manter essa velocidade, Martin terá que me ultrapassar para escapar de Jos. Se ele fizer isso, diga a Jos para me ultrapassar também. Isso dará a ele uma volta extra para tentar e alcançar Martin, e se alguma coisa acontecer com a Mclaren na última volta…
PS: Ok, Michael. Nós vamos dizer a ele. Mas por favor se concentra na sua corrida primeiro!
Brundle também estava ciente que Jos estava atrás dele e ele tinha pouca escolha a não ser ultrapassar Michael e aumentar a distância para Jos. Mas mesmo assim, seria praticamente impossível em 4 voltas Jos tirar 9 segundos só que o imprevísivel aconteceu: a Mclaren de Martin pára na última volta com pane elétrica – Jos cruza em terceiro. A equipe Benetton vendo seus dois pilotos pela primeira vez no pódio naquele ano vai a loucura total – a noite da Hungria foi pouca para os beberrões.
