Setembro 2008


Como eu escrevi sobre Pietro Timpini que se machucou durante o pit-stop desastrado de Kimi. Também acho que seria justo falar sobre Uguzzoni, o chefe dos mecânicos que tem a tarefa mais difícil durante o trabalho de pit-stop. Talvez isso não seja tão perceptível assim,  mas não se engane, não se trata apenas de girar uma plaquinha ou apertar um botãozinho.

Uguzzoni - quando o pirulito funcionou

O cara deve em apenas 7 a 9 segundos vigiar pelo menos 18 integrantes da equipe, além dos carros que atravessam o pit-lane antes de liberar o piloto. A diferença de Uguzzoni para os outros chefes é que ele ainda opera um equipamento com sistema de funcionamento complicado e duvidoso que foi especialmente modificado para o modo manual no GP de Cingapura (uma gambiarra-upgrade). Francesco que nasceu em Modena está na Ferrari desde 91, ocupava o cargo de soldador e já teve a honra de subir ao pódio para representar a equipe no GP da Turquia neste ano mesmo.

Sobre o pódio: De repente Domenicali fala comigo: ‘Vai lá, você sobe no pódio’. Eu achei que ele estava brincando, quando percebi que era sério, minhas pernas começaram a tremer. E foi uma grande emoção, uma grande satisfação. Tudo mundo da Ferrari gritava o meu nome, parecia um sonho. Eu pensava na minha mulher e nos meus dois filhos em frente à TV. Nós choramos muito depois, posso assegurar que foi um grande choro. Com certeza foi bem diferente do choro de culpa e vergonha após a corrida no Marina Bay, sendo consolado pelo próprio Felipe. E assim é a Fórmula 1, uma hora no céu outra no inferno.

 

 

Se Michael prejudicou de forma indireta (e algumas vezes de forma direta;]) seus companheiros de equipe e rivais dentro da F1 simplesmente pela sua presença, na Superbike não seria diferente. E a primeira vítima foi seu companheiro de equipe Mattias von Hammerstein que foi demitido pela Holzhauer após seu rendimento ter decaído ao longo da temporada.

“É claro que eu penso primeiro em mim mesmo” – disse o jovem piloto, “Eu não posso reclamar do meu equipamento. Porque mesmo com a minha Honda, eu poderia ter lutado pela vitória. Que Martin tinha um pouco mais, para mim era normal.  Ele lutava pelo título…

“O mais difícil foi ter Schumacher como terceiro piloto. Pois a equipe já estava orientada somente em um só piloto. E de repente, havia três pilotos, cada um em um nível e com intenções diferentes. Isso exigia tudo três vezes mais.

O melhor desempenho de von Hammerstein foi três décimos lugares, mas especialmente no final da temporada, ele começou a ser batido na classificação por Schumacher. A equipe então decidiu que trabalhará somente com dois pilotos para 2009. Aquele boato começa a ganhar força: será que Schumacher irá disputar todas as corridas da IDM ano que vem?

A segunda foto mostra Schumacher testando a moto de Carlos Checa do campeonato mundial de Superbike em Magny-Cours. Sua volta mais rápida foi de 1:44, enquanto Checa fez 1:40.9.

 

Ao longo de sua carreira, Michael trabalhou diretamente com 6 engenheiros de pista. Nessa lista, não sei o nome de apenas um, justamente o seu primeiro engenheiro, cujo relacionamento profissional durou somente um final de semana pela equipe Jordan em 1991.

Os outros cinco são muito respeitados dentro do meio automobilístico: entre os mais famosos estão inclusos Pat Symonds, Luca Baldisseri e Chris Dyer, que ainda continuam trabalhando e auxiliando seus pilotos na pista; Andy Lê Fleming e Ignazio Lunetta que trabalharam com ele em 91 na Benetton e 96 a 99 na Ferrari respectivamente, já se aposentaram das pistas de F1.

 

Andy Le Fleming

 

Em 91, ele era o engenheiro de Roberto Moreno e passou a ‘engenheirar’ Schumacher após  a demissão sumária de Moreno por Briatore e Walkinshaw que estavam desesperados para contratar o mais novo furor da F1. Algo que poucos não notam ou preferem não notar, é o fato de que Piquet era o primeiro piloto da Benetton, apesar dele não estar mais motivado a correr e ganhar corridas como estava no passado, Piquet tinha bastante influência dentro da Benetton. Tanto que por motivos pessoais preferia desenvolver todo seu trabalho de final de semana com a equipe reserva do que com sua própria equipe.

 

Primeira conversa com o novato

Segundo Steve Matchett, mecânico da equipe reserva da Benetton naquela época e atualmente escritor e comentarista do canal americano SpeedTV, Piquet não confiava em certos mecânicos, por isso sua predileção pela equipe T (de third).

Em 91, Piquet trabalhou com seus próprios mecânicos somente duas vezes: ironicamente quando venceu no Canadá e no primeiro GP de Michael correndo pela Benetton em Monza. Após treinar com o carro na quinta-feira, Schumacher não gostou do acerto que era o mesmo usado por Moreno e pediu pelo carro reserva. Após muita discussão entre engenheiros e chefes, eles optaram em ceder o carro reserva a Michael. Isso obviamente não deve ter agradado Piquet nem um pouquinho. Pois com ‘seu’ carro reserva, Schumacher conseguiu um melhor tempo na classificação.

 

Primeira conversa com o novato
Ecosse ES1 Spirit – moto com tecnologia de F1

Após a Benetton, Andy conhecido também como ’Alf’ passou por várias equipes, entre elas: Ferrari, Prost, Stewart e Mclaren. Atualmente ele trabalha no projeto de motos que usam a tecnologia de carros de F1.

Eu vi uma foto de Schumacher com Jon Wheatley em Monza e me lembrei o quanto Michael ainda se importa com as pessoas que trabalharam com ele. Jon é uma delas; mas quem é ele, você deve estar se perguntando. Ele foi seu mecânico nr.02 nos tempos da Benetton.

Jon como boa parte da equipe ’United Colors’ continuou em Enstone até a fábrica ser comprada pela Renault, viveu anos magros após a saída de Schumacher, com poucas vitórias até a chegada do espanhol ‘Nano’, conquistou mais 2 títulos em 2005 (geralmente o pessoal da F1 soma títulos de construtores + pilotos) e deixou o cargo de chefe dos mecânicos da Renault para ser Team Manager na Red Bull em 2006.

GP da Itália - 2008

Numa entrevista para a revista inglesa F1 Racing de 2006, Jon disse como Schumacher ainda continuava sendo camarada com os ex-colegas de trabalho. “Michael é genuinamente interessado nas pessoas com quem ele trabalha, mesmo agora após 11 anos que nós já não trabalhamos juntos, ele ainda me pergunta sobre a minha esposa, minha família.”

Um diálogo engraçado ocorreu no pódio em Magny-Cours de 2005. A corrida foi vencida por Alonso, e na última volta, Flávio disse para Jon ir ao pódio pegar o troféu da equipe. Ele ficou extasiado, nunca tinha pensado em tal possibilidade como também seus próprios amigos que lotaram a caixa do seu celular com torpedos, ao verem-no tomando um banho de champagne gentilmente oferecido por Schumacher que terminou a corrida na terceira posição.

Responda rápido - quem é o cara mais feliz da foto? ;)

Michael olhou surpreso para Jon e perguntou:

- É sua primeira vez no pódio?

- Sim, e você? – perguntou Jon.

Michael sorriu e respondeu:

- Ah, eu já vim aqui algumas vezes antes. :) otas

Eu já conhecia o nome Vettel antes dele conseguir um lugar na F1, simplesmente porque eu já acompanho a carreira de Schumacher há algum tempo, e ambos nunca esconderam a admiração e o respeito mútuo. Vê-lo vencer em Monza para mim foi algo muito especial, e fez aumentar ainda mais minha consideração por esse garoto. Não acho que seja exagero quando dizem que ele tem tudo para ser campeão algum dia, pois também consigo notar uma certa postura de campeão nele. E o modo como rebate as comparações com Schumacher, não me deixa dúvidas, ele sabe o que fala e sabe o que quer:

(Flavio Vanetti – Corriere della Sera) Sebastian, você tem certeza que irá deixar a equipe após essa vitória? E como você irá enfrentar a pressão que talvez inclua comparações com Schumacher?

SV: Primeiro de tudo, sobre essas comparações com Michael. Eu acho que todos vocês têm que perceber o que este cara conseguiu no passado. Comparar qualquer um de nós – provavelmente Fernando é o mais próximo, já que é bicampeão – mas comparar qualquer um com Michael, eu acho que é um pouco ridículo. Obviamente, eu sou muito jovem e ainda estou no início da minha carreira e além disso eu acho que não há necessidade se fazer uma comparação. Ele é provavelmente um dos melhores pilotos que nós já vimos. Eu me sinto orgulhoso, de certa forma, porque eu o conheço. Ele é um cara legal e completamente pé no chão.

E para complementar, as palavras de Michael que com certeza já rodaram em todos os jornais, sites e afins: “Para mim, ele já era a surpresa da temporada. Mas o que ele mostrou na Itália, nessas condições, sem cometer erros e dominando desde o início, foi digno de um piloto de ponta.”

“Baby Schumi” é como a imprensa alemã costuma chamar seu mais novo queridinho das pistas, embora isso não agrade nenhum pouco ao garoto de 21 anos que acabou de fazer história em Monza, ao derrubar o recorde que pertencia a Alonso, se tornando o mais jovem piloto a conquistar uma pole.

E quando perguntado sobre como gostaria de ser chamado, a resposta foi bem simples: pelo nome e sobrenome – Sebastian Vettel.

A história que eu não poderia deixar passar batida foi a declaração de Vettel sobre sua preparação para o GP anterior em Spa. Ele foi para Kerpen, cidade onde Michael viveu grande parte da sua vida, testar um kart da KSM (equipe cujo dono é ninguém menos que Schumacher). Eu já tinha falado algo a respeito desse empreendimento de Schumacher; segue o link – KSM – Kaiser, Schumacher e Muchow. 

“No karting eu sempre gostei de treinar no molhado e correr também” – Vettel disse durante a entrevista coletiva.

“Antes do Grande Prêmio em Spa, eu fui para Kerpen para correr de kart… Nós estávamos montando o kart e eu disse, “Vamos continuar com os pneus slick quando chover”.

“Eles disseram, ‘Não, você está louco’, eu disse, ‘Eu preciso de um pouco de prática se caso chover em Spa.’ Obviamente, uma semana depois chove também em Monza contra todas as expectativas.”

(Parabéns ao Seb, o piloto mais jovem a vencer uma corrida de F1 em Monza. Acho que Felipe e Kimi deveriam dar uma treinadinha na pista do Schumacher. ;) )

Michael Schumacher ajudou a desenvolver o mais novo capacete lançado no mercado para motociclistas, C3 e ele foi projetado pela primeira vez num guardanapo em Barcelona 2005. Isso foi contado pelo chefe da Schuberth, Oliver Schimpf: “Nós estávamos na Ferrari, na hora do almoço e Michael já tinha testado nosso capacete C2 em um tour pelos Estados Unidos. Ele fez um monte de sugestões, mas eu estava sem qualquer caderno. Então eu peguei um guardanapo.”

Michael é muito detalhista e o resultado pode ser visto no trabalho de 3 anos realizado no super-capacete C3 com todos pedidos de Schumacher anotados no guardanapo levados em consideração.

Resumindo:

1 – melhorar aparência, resistência ao ar, área de visão, acústica e peso.

2 – croqui do capacete

3 – 8 de abril de 2005. Note o ‘cavallino rampante’ próximo à data.

4 – O novo capacete é mais leve, porém não foi feito para corridas, mas Michael queria que ele se parecesse com um.

Mudando um pouco de assunto, mas ainda dentro do tema detalhes, Chris Dyer, o último engenheiro do Schumacher, disse como era o cockpit do alemão: “Eu acho que a maior e mais óbvia diferença de Michael em relação aos outros pilotos era em relação ao seu assento. Ele costumava correr com um sistema bem complicado de airbags e enchimento. Nós tínhamos algo em torno de 8 ou 9 airbags no assento, e cada airbag era capaz de ser inflado ou desinflado independente de todos os outros. Além do mais, em vários lugares do assento ao redor dos airbags havia diferentes tipos de enchimento. E toda vez que Michael entrava no carro era um longo processo de ajustar os airbags para ficarem com a pressão certa em cada um deles.”

 

“Além do assento, também tinha airbags no HANS quando o sistema foi introduzido. Nós tínhamos airbags entre o HANS e o ombro do piloto. Há duas diferentes opções com o HANS: alguns pilotos o preferem bem posicionado sobre os ombros e o cinto passando por cima; outros usam o que nós chamamos de sistema de cinto duplo no qual além do cinto de segurança há um segundo cinto segurando o HANS. Michael preferia o sistema mais simples, porém entre o HANS e o ombro havia um airbag para cada lado que também podia ser ajustado.”

“Além dos seis cintos normais, Michael tinha um sétimo, era uma pequena alça que saía da fivela até o fundo do cockpit na sua frente, com uma alça ajustável para melhor posicionar a fivela. Tudo isso era apenas para deixá-lo confortável dentro do cockpit, dando certeza que ele tinha suporte e também após um longo dia de testes ou uma corrida quente, ele não acabaria o dia com lesões ou sentindo pressão nas costelas ou no quadril.”

Fonte: Bild e RedBulletin

 

No post anterior, Neto fez uma pergunta sobre quem sabia do fato de Schumacher ter sido multado. Eu iria responder que geralmente não gosto apenas de copiar e colar uma notícia que todos já sabem e jogar aqui no blog. Mas na hora lembrei de outras histórias, e o comentário começou a virar outro post.

Michael tem se envolvido na questão de segurança nas estradas européias desde 98. Alguns dizem que ele apenas passou a cooperar nesses tipos de campanha porque era uma espécie de ’punição’ por parte da FIA devido seu comportamento na última corrida decisiva em Jerez de 97. E como está sendo ‘punido’ até hoje, não é de se admirar que esses fatos por excesso de velocidade ou qualquer outro tipo de infração são bem raros, ou pelo menos não caem na boca da mídia. ;)

 

De 97 para cá – além da multa que ele recebeu perto de Kerpen - houve aquele ‘acidente’ em Kent na Inglaterra que ele foi parar na polícia, mas ninguém foi responsabilizado e ficou por isso mesmo; outro episódio aconteceu na Noruega, correndo para chegar numa estação de ski para aproveitar suas férias da temporada de F1, ele foi multado também por excesso de velocidade.

Em 95, ele encheu a traseira de um caminhão na Alemanha. Estava distraído sintonizando outra estação de rádio (talvez procurando uma música do Michael Jackson), e não percebeu que a fila de carros a sua frente começou a parar. O motorista do caminhão levou na esportiva, pediu autógrafo e ainda disse que iria colocar uma daquelas famosas frases de pára-choque: “Schumacher bateu aqui”.

No início dos anos 90 (estamos regredindo) aconteceu outro fato do tipo ’velozes e furiosos’. Essa história foi contada por Frentzen, e aconteceu numa época em que Heinz e Michael ainda eram amigos e Corinna ainda sonhava em ser a senhora Frentzen. A Mercedes proporciona(va) aos seus pilotos, preparação física e acompanhamento médico na clínica do falecido dr. Jungl na Áustria. Michael estava a caminho desse local e Heinz como seu passageiro, contou que ele estava dirigindo absurdamente acima da velocidade normal, correndo feito louco numa estrada ainda coberta de neve como se disputasse o campeonato mundial de rali. Heinz já se imaginava atracado em uma árvore. Quando chegaram na clínica, Frentzen contou tudo ao médico que o examinava, explicando o motivo do seu coração estar tão disparado e pediu para que examinasse Michael para confirmar o desespero pelo qual havia acabado de passar. Mas o médico lhe surpreendeu dizendo que o batimento cardíaco de Schumacher estava o mais normal possível.

 

E não posso deixar de citar o início da carreira de Schumacher no mundo do esporte a motor, o pontapé inicial foi um acidente de trânsito, para variar. Seu pai, pedreiro e quebra-galho, construiu um pequeno kart feito com um motor de uma moto velha acoplado num carrinho de brinquedo. Schumacher vinha todo veloz e feliz dirigindo pelas ruas e calçadas da cidade quando deu de cara com o poste. A partir desse momento, ele passou a pilotar kart somente dentro da pista de Horrem, tornou-se o sócio mais novo com apenas 4 anos, foi até manchete no jornal local. Depois a pista se mudou para Kerpen-Manheim, e ele continuou a competir, a ganhar, a irritar, a surpreender…