Algumas semanas atrás Schumacher concedeu uma longa entrevista à revista Der Spiegel, segue abaixo o resumo da conversa que preencheu 10 páginas, mas que a mídia apenas traduziu uma única frase erroneamente deixando entender que Schumacher arrependeu-se da aposentadoria:

Ele acha que seu pescoço ficará bom até o final do ano, podendo deixar que ele corra novamente. Mas ele não sente que precisa provar qualquer coisa a alguém. ”Eu ainda não me arrependo da minha aposentadoria três anos atrás.” Mas nunca diga nunca. Ele não sente falta da vida dos pilotos de corrida, ele gosta da vida que tem agora, mas “você nunca sabe o que poderá acontecer em alguns meses ou anos”. Michael ficou surpreso pela enorme resposta positiva sobre seus planos de retorno. Quando estava se preparando sua forma física estava tão boa quando deixou a F1, apenas seu pescoço não contribuiu.
Sobre o perigo do automobilismo, ele credita ao destino, porém ele tenta evitar os riscos desnecessários. E o que Corinna achou de seu marido retornando a F1? Ele diz que sempre conversa com ela de forma calma e tranquila e não foi diferente dessa vez. As discussões sempre foram construtivas antes de qualquer decisão mas no final do dia, ele decide o que é melhor. Michael não pensa que o motociclismo é tão perigoso quanto parece. Na maioria das vezes quando eles caem, eles apenas escorregam sem maiores preocupações. Em Cartagena o problema foi que a pista não era segura o bastante. Ele sabe que nunca seria uma superestrela nas motos, mas ele se diverte e gosta das pequenas melhoras e de atingir seus pequenos objetivos pessoais.
Além das motos, Michael também curte páraquedismo e kartismo. Ele simplesmente não consegue ir devagar, precisa que as coisas sejam rápidas. Após sua última corrida de F1, ele se sentia feliz e livre. Queria que acabasse logo pois nos últimos dois anos, andar pelo pitlane era um esforço. Ele tentava focar no que era importante mas sempre havia pessoas que queriam algo dele. Quando seus filhos estavam lá, ele tentava agradá-las, mas ele também tinha que deixar muitas pessoas desapontadas e ele não gosta desse sentimento.
Não gostava quando os jornais não escreviam a verdade, mas eles tinham que seguir algum tipo de pauta. E ele ligava para o que a imprensa dizia, pois proteger sua privacidade é algo muito importante, então ele impôs limites e quando alguém os ultrapassava, ele pisava no freio. Nunca apreciou a fama, o oba-oba. Sobre a surpresa pela resposta positiva tanto do público quanto da mídia em relação ao seu retorno, ele diz que nunca se sentiu tão querido pelo público quando estava na F1. Ele creditava isso ao fato de que estava sendo dominante e as pessoas geralmente gostam das zebras. Ele cita que acontece o mesmo com Hamilton. Uma vez estava jogando pôquer com Anthony Hamilton e o pai do piloto confessou que no Reino Unido as pessoas adoram mais a Button agora. Jenson tornou-se a zebra e a situação de Hamilton lembra um pouco a dele.
Ele não sabe ao certo o que fará daqui para frente, mas ainda quer se divertir, mas ele tem certeza que após algum tempo ele terá que assumir a responsabilidade por algo novamente. Sobre livros, ele diz que não é um grande amante da leitura e pode contar nos dedos da mão a quantidade de livros que ele leu nos últimos 10 anos, porém ficou viciado em “Crepúsculo (filme e o livro) de Stephenie Meyer (Michael tem uma filha adolescente, provavelmente ela é culpada). Ele não se sente entediado, pois ainda tem muito trabalho a fazer com seus parceiros, especialmente com a Ferrari.
Perguntaram-lhe se um piloto precisa ser mais um engenheiro ou um artista. “Ambos.” Ele precisa entender os aspectos mecânicos, mas também precisa ter uma visão sobre como certas partes, melhorias funcionarão juntas, precisa visionar isso como um artista. Agora ele sente que está um pouco distante da F1 após a aposentadoria, ele assiste TV como qualquer outro espectador e não sente muita emoção nisso. Sobre os recentes escândalos, ele lembra que isso sempre fez parte da F1, é como uma de suas atrações. E o terceiro carro? Ele não está planejando nada mas… tudo pode acontecer no futuro.